quarta-feira, 17 de novembro de 2021
a cantoria do passarinho
O dia amanheceu
E Getúlio
Agonizado pelo silêncio
Que proliferou
No ambiente de seu quarto
Tão escuro
Lacrimejou nesse momento
Tão silencioso, agonizante
Ele passou a madrugada
Melancólico
Sem dizer uma única palavra
Nesse gélido momento
Que enforcou lhe a alma
Getúlio, há noites
E noites
Tão refém da depressão
Grita sob o silêncio
Mas seus gritos
São silenciados
Mas uma surpresa
Aconteceu
Nessa manhã
Que chegou
Um passarinho pousou próximo
De seu quarto
Encheu seu peito
Para cantar, como se Getúlio precisasse
De uma cantoria
De uma ave para lhe confortar
O pequeno passarinho
Reproduziu seu canto
Ficou cantarolando
Como se soubesse
Da melancolia de sua alma
E beijou seu coração
Tão entristecido
Através de seus cantos
O passarinho
Cantou cantou
Sua melodia
Partiu, voando tão longe dali
E Getúlio?
Com sua alma dolorida
O rosto enxuto
Se levantou depois do beijo recebido
Observando aos céus
Para ver se encontrasse
A ave que curou sua dor
De noites tão gélidas que viveu


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